Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

Siga nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/profthadeubrandao/

Contato, críticas, sugestões e artigos: thadeubrandao@bol.com.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Rápida Introdução à Sociologia Econômica

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais e Professor de Sociologia da UFERSA.


A sociologia econômica, ramo da sociologia, estuda os fatos econômicos, tomando-os como fatos sociais. Volta-se aos economistas e sociólogos, levando-os a estudar estes fatos a partir de sua dimensão de relação social sem obliterar, no entanto, sua dimensão comportamento egoísta, ponto central da problemática. Isto porque nem todos os comportamentos econômicos são apenas racionais e, frequentemente, os motivos sociais desses comportamentos podem sê-los.
A sociologia econômica assume plenamente uma dimensão política da maioria das coisas concretas que analisa, embora isto não implique um certo engajamento político. Ao mesmo tempo, a sociologia econômica, que assume uma posição eminentemente crítica em relação à teoria comportamental de um agente econômico não socializado, de caréter onisciente e movido unicamente pela busca do ganho máximo (o famoso homo oeconomicus), caminha em torno de três perspectivas interligadas, mas que podem ser pensadas separadamente para uma maior clareza: mostrar como as relações sociais influenciam as ocorrências econômicas, fenômeno atualmente chamado de construção das relações econômicas.
Outra perspectiva é sua dimensão analítica que caracteriza as pesquisas consagradas à compreensão sociológica da formação das variáveis mercantis (preço, renda, volume do emprego etc). Estes estudos mostram, por exemplo, como o poder das relações sociais (da família, dos amigos e profissionais) explica a maneira como os indivíduos encontram um emprego, ou por que certas redes éticas são mais bem-sucedidas que outras quando se trata de criar empresas.
A sociologia econômica também comporta uma dimensão cultural e cognitiva. Para ela, os fatos econômicos não poderiam ser explicados independentemente de um certo conjunto de maneiras de classificar os fatos sociais, que resultariam de percepções específicas, sendo que uma das mais enraizadas seria a tendência de isolar o fato econômico dos demais fatos sociais. Assim, a economia não seria apenas uma prática em si, pois ela é também uma representação sóciocultural largamente difundida sob a forma de práticas de gestão e é objeto de uma elaboração científica que se desenrola sob a forma de teoria econômica.
Várias correntes e autores se sobressaem nos estudos da sociologia econômica. Max Weber, dos clássicos, é o principal deles. A sociologia econômica weberiana, por exemplo, põe em primeiro plano os motivos dos atores colocados em situação de interação, e o sociólogo deve se esforçar para compreender estes motivos (recorrendo a pesquisas estatísticas, a experiências psicológicas de laboratório, ou a reconstruções racionais) para explicar as ocorrências sociais observadas.
Weber considera o fato econômico como um fato social na medida em que a procura de bens escassos obriga o agente a levar em conta os comportamentos dos outros agentes econômicos e o sentido que eles dão à sua ação. Isto posto, a sociologia econômica procura as relações sociais nas quais se encontra concretamente expresso tudo o que as análises abstratas do comportamento egoísta desenvolvidas pelos economistas pressupõem.
Weber propõe três vertentes de trabalho: (1) análise da estrutura das relações socioeconômicas presentes nos fenômenos; (2) análise da formação histórica dessas relações; (3) análise de sua significação cultural. Aí encontramos a origem das três dimensões (analítica, histórica e cognitiva) da sociologia econômica contemporânea.
A corrente atual denominada de Nova Sociologia Econômica, fundada por Mark Granovetter, parte da seguinte perspectiva: “Minha abordagem da sociologia econômica apóia-se em duas proposições sociológicas fundamentais: em primeiro lugar, a ação é sempre socialmente localizada e não pode ser explicada, fazendo-se referência , apenas, aos motivos individuais que possam tê-la ensejado; em segundo lugar, as instituições sociais não brotam automaticamente tomando uma forma incontornável; elas são construídas socialmente”.
Ele distingue três níveis de fenômenos econômicos. O primeiro é a ‘ação econômica individual’. Reservo para esse nível a definição weberiana: (a ação econômica individual) é a ação orientada para a satisfação das necessidades, estabelecidas pelos indivíduos, em situação de escassez. Quer também explicar fenômenos que se situam além da ação individual – fenômenos que chamo de “resultados econômicos” e “instituições econômicas”.
As instituições são diferentes dos resultados (formação de preços estáveis para mercadorias específicas, formação de diferenciais de salário entre algumas categorias de trabalhadores etc), pois elas designam conjuntos maiores de ações e comportam uma dimensão normativa (como as coisas devem ser feitas).
A contribuição da sociologia econômica é, conseqüentemente, dupla. Em primeiro lugar, com ela trata-se de descrever de maneira empiricamente sólida os dispositivos e os comportamentos sociais que atuam nessas formas de articulação que cercam a transação mercantil.
A importância da Sociologia Econômica é a de seus analistam levarem em conta relações nas quais os indivíduos estão colhidos. Estas relações oferece acesso a recursos, e nisso elas facilitam a ação econômica; no entanto quando as relações sociais impedem o desenrolar da atividade orientada para o lucro, ou quando elas diminuem a reatividade das formas diante de alterações nos constrangimentos mercantis, o contrário pode acontecer. Dessa perspectiva, a inserção social do econômico não é uma coisa boa em si, e convém, prática e teoricamente, considerá-la uma forma de exclusão na medida em que as relações sociais impedem a atuação de comportamentos egoístas.
A abordagem em termos de rede, por exemplo, mostra como a coesão social ou a equivalência das posições ocupadas no mercado, concebido como uma rede de relações , são elementos pertinentes na explicação dos resultados econômicos.
Por exemplo, a informação sobre o estado do mercado não passa, obrigatoriamente, pelos preços, e de que ela não se encontra distribuída de maneira equitativa entre os participantes do mercado. Os que possuem mais vínculos frágeis (vínculos de amizade) que vínculos fortes (vínculos de família) têm acesso a informações mais relevantes e mais eficientes do que os outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário