sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mossoró Cidade Segura? Quando a violência bate à nossa porta

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Consultor de Segurança Pública da OAB/RN e Professor de Sociologia da UFERSA.


Ontem, às 9 e 30 da manhã, em rua movimentada de bairro de classe média em Mossoró, minha esposa e outras clientes de um salão de beleza foram assaltadas por uma dupla, aparentemente menores de idade, armados e apoiados por outros dois indivíduos. Levaram jóias, celulares e dinheiro. Levaram a dignidade daqueles que não haviam ainda sofrido com a violência que permeia as cidades brasileiras. Ficou o trauma, o medo e, Graças a Deus, a vida de todos.
Como pesquisador da violência, o fato desta passar pela minha vida é fato, se não insólito, ao menos digno de reflexão calma e distanciada. 
O modus operandi desses pequenos grupos de desviantes e outtsiders é conhecido. Sua própria identificação também, já que um deles, reconhecidamente "menor", foi indentificado como assaltante contumaz e que, repetidas vezes preso e solto, vem praticando crimes na região. Morador da Favela das Malvinas, menino de infância pobre e infeliz, com certeza. O problema é que, ao delinquir, o mesmo se interpõe entre o cidadão e a lei. Entre a ordem e o sistema que a sustenta. Claro que esse individuo está a margem de tudo isso. Faltou-lhe tudo, inclusive e principalmente, oportunidade.
Ao mesmo tempo, tendo tudo isto em mente, a sociedade tem o pleno direito de se defender. Direitos básicos do cidadão (inclusos) como ir e vir estão sendo ameaçados. Atinge pobres e ricos. Atinge a todos. A segurança pública é problema de todos e não pode ser tratada como caso exclusivo de polícia. Planejamento, gestão de segurança, políticas carcerárias e de justiça criminal precisam andar, lado a lado, de políticas públicas sociais efetivas e VERDADEIRAMENTE inclusivas.
A Polícia Militar de Mossoró prendeu, ontem mesmo, dois dos indivíduos do bando. Cumpriu rapidamente seu papel. Mas, o resto do ciclo não tem como ser efetivado se faltarem os demais processos. Prender, condenar e manter preso. E, mais a frente, evitar a própria delinquência e a multiplicação da criminalidade. Tarefas que exigem participação da sociedade, não apenas cobrando mais polícia nas ruas, mas cobrando DIREITOS.
O RN precisa, urgentemente, de um Plano Estadual de Segurança Pública. Sério, científico e interdisciplinar. Precisa de um Conselho de Segurança Pública, multiplicado em cada um dos municípios problemáticos. Necessita de um sistema carcerário eficiente e que dignifique a pena, evitando a reprodução da delinquência dentro de seus muros. Necessita de polícia investigativa e científica funcionando. Não há novidades aqui. Apenas velhas cobranças.

2 comentários:

  1. Por que eu nunca ouvi falar de bandido queixando-se de falta de arma no mercado?

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  2. Ao ler esse texto e assim como outros que defendem uma politica mais abrangente para resolver a violência, primeiramente eu concordo, mas quando me coloco em nossa realidade, fico extremamente desacreditado, virando até mesmo utopia. Realidade essa em que pequenas ações governamentais são dificultadas pela falta de recursos, ou pela burocracia, de acordo como assim ''nos informam'' (mídia). Porém, ao assistir o jogo entre Brasil x Inglaterra, em que foi muito destacado a organização do evento, a segurança, a magnitude da construção do estádio com modelo Europeu etc, nota-se que a realidade de antes parece que não existe mais, parece que agora não falta mais nada e tudo sera feito da melhor maneira. Isso me levou a refletir e a concluir que não é uma utopia, pois se desse prioridade a tantos problemas como educação, saúde e violência, utilizando o mesmo empenho e esforço de construção de estadios, talvez não estariamos nesse caos.

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