Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 7 de maio de 2013

O Estado sob a ótica keynesiana

Tomislav R. Femenick, Mestre em Economia, pela PUC-SP , jornalista e bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Cidade de São Paulo.

Na íntegra, via Blog do Tomislav.


Quando se discute o papel do Estado na economia, as ideias desenvolvidas pelo economista John Maynard Keynes, sempre vêm à tona em forte clima de polemica. Na base dessas controversas, estão as teorias de economista britânico desenvolvidas nas décadas de 20 e 30 do século passado, principalmente nesta última e no bojo da grande crise provocada pela quebra da Bolsa de New York em 1929, que gerou um grave desequilíbrio conjuntural nos Estados Unidos, que logo se irradiou pela economia mundial.
A crise financeira iniciada no final de 2008, também iniciada nos Estados Unidos e espalhada pelo planeta, fez reaparecer em destaques um dos postulados do keynesianismo: quando algo provoca desequilíbrio no mercado, ocasionando a retração do nível de consumo e/ou de investimento por parte dos agentes privados, o Estado deve intervir na economia em grau e em áreas tão diversas quanto necessário seja como forma de evitar o desemprego e garantir o estado de bem-estar social. Politicamente Lorde Keynes era um liberal (foi membro do Partido Liberal britânico), porém posicionou-se contra uma das bases do liberalismo clássico, o laissez faire (teoria segundo a qual o mercado deve funcionar livremente, sem interferência de quaisquer fatores), e, mais ainda, propôs a intervenção do Estado na economia como forma de defesa da livre iniciativa – posturas aparentemente antagônicas: o liberalismo e a intervenção estatal. Todavia eram posições racionais. Defendia uma maior atuação estatal nos assuntos da economia “por ser o único meio praticável para evitar a destruição total das formas econômicas existentes como por ser condição de funcionamento adequado da livre iniciativa”
As concepções macroeconômicas de Keynes, embora possuam conotações e características não liberais, aceita essa intervenção do governo tão somente como uma forma de suplementar insuficiência conjuntural da demanda do setor privado e rejeita, categoricamente, a propriedade estatal dos meios de produção, o Estado como agente produtor de bens e serviços para o mercado. Na sua obra Teoria Geral ele afirma “não se vê nenhuma razão evidente que justifique um Socialismo de Estado abrangendo a maior parte da vida econômica da nação. Não é a propriedade dos meios de produção que convém ao Estado as sumir”. Na verdade, as teorias de Keynes têm por objetivo encontrar meios para evitar ou solucionar as crises que periodicamente afetam o funcionamento normal das sociedades capitalistas.
Com avanços e recuos, o keynesianismo se impôs como teoria aceita, praticada e pouco criticada, desde o fim de depressão de 30 até a época de crescimento econômico que se seguiu aos anos da Segunda Guerra. Nos anos 70, quando os altos índices de desenvolvimento dos países capitalistas começaram a recuar, a arrefecer, suas teses começaram a ser contestadas, principalmente pelos integrantes da chamada escola de Chicago, uma corrente de pensadores integrada por economistas liberalistas, defensores de teses monetaristas e da ausência estatal no mercado. Fazem parte desta escola importantes economistas, muitos deles ganhadores do premio Nobel de Economia, considerados como os novos defensores do laissez faire. Todavia Keynes também era monetarista. Segundo John Hicks, também ganhador do premio Nobel, ele “foi essencialmente um economista monetário; seus escritos são um complemente intelectual da revolução monetária do nosso tempo”.
Os países que viveram sob governos tutelados por partidos comunistas, tiveram a maior experiência de intervenção governamental na economia. Planificando, orientando, implementando, produzindo e, enfim, conduzindo a atividade produtiva e a distribuição da riqueza de toda a sociedade de forma centralizada, o governo era onipresente na economia. As pessoas, como indivíduos, foram excluídas de todo o processo, como agentes econômicos produtores. Essa experiência foi desastrosa. A lição recebida foi a de que uma economia engessada, sem a intervenção do indivíduo como agente condutor e produtor, sem competição e sem oportunidades e opções de mercado, tende a produzir menos do que a sociedade necessita.
Hoje, até os governos que ideologicamente se intitulam como comunistas vêm mudando a sua conduta no campo econômico. O capitalismo renasce na China, o Vietnã recebe as empresas multinacionais de braços abertos e em Cuba instalam-se empresas de qualquer nação e o governo quer também as norte-americanas. Por outro lado, há uma onda de privatizações de empresas governamentais, embora desacelerada com a presente crise financeira internacional. O processo iniciou-se na Grã-Bretanha e se espalhou pela França, Itália, Brasil, Argentina, México, Rússia, países do leste europeu e pelo mundo afora.

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