segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Aspectos econômicos na formação de um pólo turístico regional

Tomislav R. Femenick, Mestre em Economia, pela PUC-SP , jornalista e bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Cidade de São Paulo. 


A maioria dos estudos econômicos centram seus levantamentos e análises nas operações e resultados das atividades produtivas, considerando apenas a interação dos agentes diretos (produtores e consumidores) e indiretos (governos, financiadores etc.), isto é, limitando-se aos elementos macroeconômicos e microeconômicos da oferta e da procura. Esta visão dá ao mercado não só a maior importância no contexto econômico, mas o transforma no único condicionante do êxito. Entretanto, outros estudiosos do comportamento da economia – economistas e pesquisadores de outras áreas afins – têm se dedicado a estudar outras variáveis que interferem no processo produtivo, mas que estejam fora do mercado. Esses processos, que terminam fazendo parte do fator econômico, compreendem o estudo dos chamados recursos gratuitos, cujos valores e características não possuem preço e não são contemplados pelos valores do mercado.
Na economia do turismo esses elementos são fatores essenciais, que devem ser considerados como tal e fundamentais na concepção de qualquer projeto que estude o desenvolvimento regional, pois que são básicos na sua formulação e projeções finais. Isso porque o desenvolvimento do turismo requer uma soma muito grande de recursos gratuitos, para poder satisfazer as necessidades e demanda dos consumidores, dos turistas. São considerados recursos gratuitos, por exemplo, os elementos geográficos, outros fatores naturais e os bens públicos: as florestas, os rios, os parques, os monumentos culturais, o folclore, as estradas e outros elementos de infra-estrutura, tais como hospitais, museus, escolas, etc. Esses bens não têm valor de mercado, de troca ou de uso, se considerados pelo strictu sensu dos conceitos das várias teorias do valor . Entretanto existe um custo na oferta desses bens, inclusive na manutenção das suas condições e conservação, para que possam permanecer como atrações turísticas e meios de acesso à elas.
O fator que diferencia um pólo turístico de outro, sob o ângulo de recursos gratuitos, é a forma como se associam os recursos naturais e os recursos estruturais. A simples existência de parque, florestas, rios e praias não dá a esses lugares possibilidade de atraírem visitantes, se a eles não houver meios de acesso. Boas estradas e bons atrativos naturais também não são suficientes por si só, outros fatores devem integrar a oferta de pacotes turísticos: boas condições de alojamento, alimentação e recreação. Aqui entram as variáveis eminentemente econômicas, que devem ser consideradas nas políticas regionais de desenvolvimento e intensificação do setor turístico:
a) A disponibilidade de fundos para aplicação na construção e ampliação de meios de hospedagem (hotéis, flats, pousadas, albergues ou campings), de restaurantes e de estabelecimentos de diversões culturais e populares (museus, parques temáticos, casas de música, etc.).
b) A integração das atividades turísticas com os outros setores da economia regional.
c) A disposição de investir recursos na formação de mão-de-obra especializada, para os vários setores do turismo receptivo.
d) A existência de um potencial de demanda pelas atrações regionais.
A concretização dos projetos só se dá pela integração concreta dos recursos gratuitos com as variáveis econômicas. Somente os investimentos financeiros é que fazem a sinergia dos valores naturais com as instalações turísticas comerciais, fazendo com que a região seja um pólo de atração para a demanda turística . Para isso é fundamental uma política governamental de fomento e incentivo a esse setor da economia.
A ação governamental em um projeto de desenvolvimento turístico deve ser tão ampla quanto possível, principalmente quando se trata de um pólo regional, que agrega unidades municipais autônomas. Além da manifestação da vontade de formar o pólo turístico, os Municípios devem se comprometer na realização de uma política comum de inversões financeiras visando:
a) Gastos com o marketing e com a promoção do turismo da região, utilizando como suporte a mídia mais recomendável para atingir o consumidor alvo.
b) Investimento na formação de mão-de-obra especializada.
c) Investimento nos setores de saúde e segurança pública.
d) Estruturação de um setor de informações turísticas.
e) Subvenções à atividades não lucrativas diretas, tais como festas folclóricas.
f) Participação de programas de associações e entidades voltadas aos estudos e desenvolvimento do setor turístico.
O aspecto singular da planificação econômica do turismo é a necessidade de uma coordenação e participação política na atividade econômica. Há que se criar ou delegar a um órgão supra municipal (e apartidário) a responsabilidade de integrar as tarefas individuais de cada unidade municipal, de forma que haja conhecimento geral dos objetivos de infra-estrutura, evitando realizações desnecessárias (por exemplo: dois parques temáticos iguais, na mesma região) ou que sub-projetos locais sejam interrompidos. Isso porque, em toda política de planificação econômica de pólos do turismo, é imprescindível a existência de correlação e dependência entre o plano local e o plano regional, entre o setor do turismo e os outros setores da economia.
Por outro lado, por ser uma atividade com efeito multiplicador em vários outros setores produtivos, o planejamento do turismo deve contemplar metas de crescimento quantitativas e qualificativas, a serem atingidas em tempo certo, com a elasticidade necessária às adaptações decorrentes das mutações das políticas macroeconômicas governamentais. Esse planejamento deve ser segmentado em etapas sucessivas de tempo, de forma que torne exeqüível a realização dos objetivos traçados.
Assim, se os Municípios integrantes de um pólo turístico têm objetivos comuns porém individuais, a coordenação do projeto deve traçar para si objetivos que visem assegurar que:
a) As estratégias de desenvolvimento projetada sejam apropriadas para cada local.
b) Os investimentos sejam voltados para a vocação natural (econômica, cultural e social) de cada localidade.
c) As opções de lazer ofertadas ao turistas sejam consoantes com a demanda existente no mercado.
d) Que a atividade econômica do turismo proporcione condições reais para elevar a renda e o nível de vida da população local.
A integração econômico-turística dos Municípios participantes do projeto, deve levar em consideração que as relações que se estabelece no interior do sistema (coletivamente entre as unidades que compõem a região, individualmente entre cada uma delas e o órgão gestor e individualmente entre si) têm efeito econômico diversos, conforme seja o tipo de ação. Como em todos os sistemas, também nos sistemas socioeconômicos “existe retroação dos efeitos sobre as causas, o que tanto pode originar a ampliação dos efeitos destas (feed-back positivo), como, pelo contrário, a travagem, o retardamento ou mesmo a inversão do sentido dos fenômenos desencadeados (feed-back negativo)” . Daí o porque da atenção e seriedade que se deve ter nos componentes econômico da política adotada para a formação do pólo de desenvolvimento turístico.  

BIBLIOGRAFIA 

BARROS, Henrique de. Economia e ecologia; dois textos. Lisboa: Horizonte, 1981.
BULL, Adrian. La Economía del sector turístico. Madrid: Alianza, 1994.
FIGUEROLA, Manuel. Teoría económica del turismo. Madrid: Alianza, 1985.
GRAZIADEI, Antonio. Prezzo e sovraprezzo nell’economia capitalistica. Torino: Fratelli Bocca, 1924.
LAGE, Beatriz Helena Gelas e MILONE, Paulo César. Economia do turismo. 2ª ed. Campinas: Papirus, 1996.
PETROCCHI, Mario. Turismo: planejamento e gestão. 2ª ed. São Paulo: Futura, 1998.


Na íntegra via Site do Tomislav

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