Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Estar só, nem sempre, é tão ruim quanto dizem. Na sua agenda tem um tempinho para você?

Edmilson Lopes Júnior, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP, Professor de Sociologia e Pró-Reitor de Extensão da UFRN.


Há mais de um século, Georg Simmel nos chamou a atenção para o fato de que a experiência urbana moderna nos coloca em um mundo de informações, sinais e mensagens em demasia. Dada a nossa impossibilidade de processar tudo o que nossos olhos veem e nossos ouvidos escutam, reagimos com o que o genial autor denominou de “atitude blasé”. Trata-se, até certo ponto, de um “mecanismo de defesa”: ficamos embotados, meio alheados ou anestesiados, pois, ao contrário da vida nas pequenas cidades, sabemos bem que não podemos absorver e analisar tudo o que rebate em nós.
Cem anos depois, e após o advento do maravilhoso e perigoso mundo da internet, estamos bem além da experiência blasé. Há até quem diga que, hoje, temos um hardware externo... Por outro lado, conectados em redes, estamos cada vez sós. E não são poucos os bancos de dados que temos que lidar e as informações que podemos acessar. Isso nos deixou mais eruditos? Não creio. A suposta democratização da informação caminha de braços dados com a radicalização da informação. Somos blasé não apenas nas vias, mas também nas infovias. Por outro lado, simmelianamente falando, a atitude blasé se espraiou por todos os recantos. Não está mais, como ele diagnosticou, restrita às grandes metrópoles.
E o que diabos isso tem a ver com o ficar só e com a solidão? Bom, intuo (gostaram?) que a solidão, de vez em quando, nos leva para além da atitude blasé. Hans Magnus Ezensberg escreveu a respeito de alguns dos luxos no século XXI. Nenhum deles tem a ver com consumo. Cultivar um espaço e um tempo para você é um desses luxos. Mesmo que tenha alguém que você ame (e que dê ou faça você dar vexame!), você precisa, de vez em quando, fechar os olhos e se desligar do entorno. O recado bem que poderia ser: procure um tempo para você na sua agenda! E aí vai a minha pergunta: você tem tempo para você?
Isso, caro(a), você tem um tempinho para você? Não! Não acredito que os egoístas e egocêntricos tenham esse tempo. Eles estão tão preocupados com o seu mundinho e suas personas que, há muito, esqueceram do espírito que os alimenta. Ter tempo para você não significa (longe disso!) ser egoísta e cultiva o individualismo. Pelo contrário, significa dar um tempo para que você possa dar o melhor de você ao mundo que o rodeia e às pessoas que ama. Seja melhor para você não porque você é o tal, mas, sim, porque as pessoas que te amam merecem o melhor de você. Sacou?
Por isso, cultive um pouco de solidão. Procure momentos e espaços para você. Para se desligar do redor e se conectar consigo mesmo. Não se trata dessa coisa de procurar a perfeição. Isso é coisa de gente careta (e tão egocêntrica quanto carente). Não! Trata-se apenas de cultivar os sentidos e buscar os fios da meada que te levaram a ser quem você é. Quando você não faz isso, pode acreditar, não é raro que você esteja traindo a si mesmo. Ficar só, algumas vezes, é um presente para você mesmo!

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