Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pequenez política e o RN

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/RN.



Nos últimos dias o RN rememora uma velha prática política que caracteriza - e muito bem - o fazer político na terra de Potiguaçú, o Camarão Grande: ao aproximar-se do pleito subsequente, os partidos da tal "base aliada" do governismo começam a debandar, isso ao som de orquestra fúnebre, com direito à carpideiras. Eis que o PMDB é o mesmo que, repetindo a história, nem tanto como tragédia e nem tanto como farsa, para não deixar de parafrasear Marx, abandona o governo que apoiou condicionalmente (via cargos, obviamente, forma legítima de ocupação partidária em nosso sistema político). Abandona do mesmo jeito que abandonou o governo Geraldo Melo (1987-1990), de seu próprio partido. Abandona pateticamente, alegando que fará "oposição responsável" e agirá com "independência". Há quem leia nessa partida o aumento inflacionário do apoio, agora pago no varejo a preços exorbitantes. Onde o executivo detém maior força e maior poder de barganha (leia-se: orçamento), o legislativo tende a se curvar. Isso depende, é claro, de múltiplas "negociações" pelo bem do combalido estado elefante. O mesmo parece fazer José Agripino Maia, caudilho do DEM local. Afasta-se de um governo endividado, mal avaliado nas pesquisas e com altíssimos índices de rejeição. Afasta-se do único governo do DEM no Brasil inteiro. Entrega-se de vez ao fim da legenda e suas pretensões de manter-se como principal articuladora política do Estado, passando o bastão para o PMDB. Em verdade, dirá-me um zizeckiano, não há grandes diferenças nas legendas supracitadas. Comandam o estado desde antanho, mudando apenas de sigla ou de caudilho, onde avôs, pais e filhos se sucedem na mesmice do poder. De Partido Conservador, Liberal e Republicano, passam a PSD (Partido Social Democrático) e UDN (União Democrática Nacional). Velhas famílias que se sucedem levis-traussianamente no poder e que, afora poucos momentos, mantiveram o RN na contramão do desenvolvimento socioeconômico que o Brasil experimentou em sua história. A isso se liga a pequenez política de nossas elites: cargos e troca de poder. Sem planejamento, sem administração racional-legal eficiente, sem perspectivas vindouras. Ligadas a um patrimonialismo sem peias, acomodam-se e vivem das rendas públicas, repetindo, imemorialmente, as velhas práticas herdadas desde Portugal. Até quando?

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