Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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sábado, 2 de novembro de 2013

Breve ensaio de Antropologia Visual: Cemitério de São Sebastião, Mossoró/RN

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/RN.

Foto 01: Entrada do Cemitério/ +Copyrigth Thadeu Brandão

A Antropologia Visual é, mais do que uma metodologia ou técnica de análise sóciocultural, uma maneira de interpretar o mundo, etnograficamente, através de imagens fotográficas em geral. Desde Malinowski, as Ciências Sociais perceberam o importante instrumento de registro dos "imponderáveis da vida social" através da máquina fotográfica. Mas, longe de capturar a verdade da realidade social, ela captura um olhar, uma visão interpretativa dessa realidade.
Neste sentido, exponho aqui, minha visão deste Dia de Finados, em uma visita que fiz, logo de manhã cedo, ao Cemitério de São Sebastião em Mossoró. Seguindo a perspectiva da Antropologia Visual, trago meu percurso e meu olhar neste locus onde a morte/vida são celebradas. Partindo também da perspectiva de Marcel Mauss, de "fato social total", pode-se perceber o Cemitério como um espaço onde vários elementos do social se encontram presentes.

 Foto 02: Ambulante de artigos religiosos/ +Copyrigth Thadeu Brandão



O comércio está presente em várias modalidades: lanches, bebidas, artigos religiosos, velas, muitas e muitas barracas de flores. Também a ação social, com o Hemocentro e uma equipe trabalhando na coleta de sangue. 
Foto 03: Ambulante de Flores/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Foto 04: Presença do Hemocentro/ @Copyrigth Thadeu Brandão


Também é o espaço das mais variadas formas de expressão da religiosidade. Católicos, evangélicos e até mórmons, apenas para citar os "vizualizados" estão presentes. Claro que há aquelas que não estão visíveis ao olho destreinado, mas encontram espaço aqui também.

Foto 05: Evangélicos fazendo pregação/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Foto 06: Mórmons/ +Copyrigth Thadeu Brandão

A arquitetura do Cemitério é outro elemento presente. Uma mistura de vários estilos, onde o neogótico predomina, como da bela capela central. Os adornos dos túmulos complementam a beleza do espaço e da celebração da morte/vida. Neste sentido, chama a atenção o rico jazido da elite local, em memória do ex-governador Dix-Sept-Rosado.

Foto 07: Capela/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Foto 08: Túmulo de Dix-Sept-Rosado/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Claro que o mais esperado, deixei para o final. Isso mesmo. Eis o túmulo do cangaceiro Jararaca, Santo-Bandido, canonizado pelo catolicismo popular. O mais visitado, mesmo que apenas por curiosidade. Velas, flores e orações adornam seu túmulo. Preces àquele que fora execrado em vida como bandido, mas é devotado na morte como santo. 
Foto 09: Túmulo de Jararaca, primeiros devotos/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Foto 10: Túmulo de Jararaca, devoto/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Foto 11: Túmulo de Jararaca, devotos/ +Copyrigth Thadeu Brandão

Para finalizar este breve ensaio, não poderia deixar de mostrar aquilo que considero um dos aspectos mais significativos do ethos e da visão de mundo mossoroense. Onde o cangaceiro é cultuado como santo, o seu algoz, o prefeito Rodolfo Fernandes é esquecido. Seu túmulo, mal cuidado e sem visitações, "jazia" abandonado, usado como ponto de ambulantes. Isso fala bastante sobre certa cultura de "valentia" e violência que ainda persiste? Deixo em aberto o questionamento.

Foto 12: Túmulo de Rodolfo Fernandes/ @Copyrigth Thadeu Brandão

Um comentário:

  1. Só um olhar sensível as questões sociais/antropológicas poderia produzir este ensaio. Há muito questiono as "(con)tradições" mossoroenses. Nossa história está recheada delas. Gostei de fazer este passeio a bordo de seu olhar. Bom feriado. Abraços

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