Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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segunda-feira, 10 de março de 2014

Acidentes de trânsito e álcool: saúde e políticas públicas interligadas

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/RN.



É exatamente na área da saúde onde encontram-se as maiores consequências e prejuízos relacionados com o fenômeno da violência urbana, na qual se destacam os acidentes de trânsito. Nos últimos 20 anos, os acidentes de trânsito cresceram 67% em nosso país. Para se ter uma ideia do problema, os acidentes de trânsito matam 1,2 milhão de pessoas a cada ano e representam 2,3% do número total de mortes no mundo, tratando-se, portanto, da décima causa de mortalidade mundial. 
Quando falamos de acidentes de trânsito, apontamos predominantemente os atropelamentos e colisões. As pesquisas na área mostram que somente 1/3 das vítimas fatais nos acidentes de trânsito estavam embarcadas nos veículos, portanto, cerca de 2/3 ocorreram devido a atropelamentos. Esses sinistros chamam a atenção não só por ocorrerem em grande número, mas também por atingirem uma população jovem, na maioria das vezes. 
O consumo de bebidas alcoólicas pode ser apontado como um dos principais fatores responsáveis pela alta incidência dos acidentes com vítimas. De uma maneira geral, em vários países, costuma-se considerar que entre metade e um quarto dos acidentes com vítimas fatais estão associados ao uso do álcool. O consumo de bebidas alcoólicas também é apontado no Brasil como um dos principais fatores causais de acidentes. Em aproximadamente 70% dos acidentes de trânsito violentos com mortes, o álcool é o principal responsável, segundo o DATA/SUS e o SIM.
Os perfis desta mortandade relacionado ao álcool é muito similar em todo o país: acentuado na faixa etária de 20 a 29 anos (18,3%) e igualmente para a faixa de 30 a 39 anos, seguido de 40 a 49 anos (16,9%). Esses dados revelam uma população de adultos na faixa etária produtiva e participativa do mercado de trabalho, que é brutalmente retirada do contexto da sociedade como um todo. Para título de comparação,  nos EUA, a ingestão de álcool antes de dirigir é responsável por 50 a 55% dos acidentes automobilísticos fatais. Já, no Brasil, este percentual chega a 75%.
A maior demanda dos acidentes ocorrem nos fins de semana, quando as estatísticas dos acidentes de trânsito aumentam. Observa-se 33,3% na sexta-feira, seguido de sábado e domingo com 50,0% e 43,7% respectivamente. Nos feriados, bem como as vésperas dos mesmos, nesse período, ocorreram nas terças-feiras referindo-se respectivamente, às festas de natal e ano novo.especulamos que os acidentes nas madrugadas dos fins de semana são provocados pela junção dos dois maiores vilões implicados na gênese dos acidentes de trânsito, o álcool e a sonolência.
 Dos locais onde ocorrem, o número de vítimas fatais é maior nas vias públicas e onde se constata maior frequência de alcoolemia positiva. Tal fato decorre, naturalmente, da maior gravidade do acidente. No que concerne à natureza dos acidentes, o predomínio dos atropelamentos e colisões mostra importante relação com o uso de bebidas alcoólicas. No caso de acidentes fatais com motos, também se verifica que o álcool tem participação evidente.
O custo é alto e evidente. Abarrotando nossos hospitais e exaurindo nossos parcos recursos destinados à saúde pública. Uma política pública de trânsito efetiva e funcional implicaria, necessariamente, num desafogamento do setor de urgência e emergência, além do de politraumas. Lei Seca dura apenas não basta. Uma fiscalização efetiva atrelada a um conjunto de práticas educacionais tem que ser levada adiante em todos os estratos sociais e em todas as idades. Por enquanto, enxugamos gelo.

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