Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 11 de março de 2014

Frota de veículos do RN e nossa opção pelo individualismo possessivo

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/Mossoró.


Basta andar pelas ruas de Natal ou Mossoró mas, principalmente, de nossa congestionada capital. São semáforos abertos onde carros não conseguem sair do canto. São engarrafamentos que, menino, só vi em noticiários mostrando a Paulicéia Desvairada. São centenas de milhares de veículos que, em junho, chegarão a um milhão. Uma média de um veículo para cada três potiguares. Vale lembrar: mais que a média nacional que é de quatro.
Os fatores que levam ao desastre iminente são vários: falta absoluta de planejamento viário; inexistência de políticas públicas eficazes voltadas ao transporte público; falta de financiamento concreto para a instalação de projetos de transporte público de massa. Mas, aponto um significativo que, apesar de não tratar os atores sociais como plenamente racionais, como requer a boa Sociologia Econômica, traz elementos culturais necessários: andar de carro é bem mais confortável e prazeroso que qualquer outra forma similar. 
Pesquisas realizadas na Europa, EUA e Austrália mostram bem isso. Mesmo possuindo excelentes sistemas de transportes públicos (e não a miséria grotesca a que somos submetidos no Brasil), os cidadãos desses países ainda fazem uma preferência clara pelo automóvel. A opção de individualizar a escolha do meio de transporte, mesmo em detrimento do bolso, já que é bem mais caro (custo social) e mais lento (já que os transportes públicos conseguem mais velocidade em suas faixas exclusivas etc.). 
Individualizar tem sido nossa opção em várias áreas. Consequência ou não da Modernidade, nossa opção por ações individuais se alastram por todo o espectro da vida social. Mesmo quando em espaços públicos, interagimos mais individualmente. Basta prestar atenção a uma cena cada vez mais corriqueira: pessoas sentadas em mesas de restaurantes e bares, digitando seus smartphones, cabeças baixas e silenciosas. Mais que um rápido retrato desse individualismo, aponta uma fuga constante da esfera pública. Estamos ainda no espaço público, mas fora da esfera pública.
No trânsito, isso se traduz pela opção do automóvel individual. As classes economicamente abastadas ostentam em suas garagem vários autos, um para cada membro familiar. As ruas tornam-se espaços de disputas, quase concorrenciais, onde o mais veloz, o mais esperto ou o mais paciente chegará antes ao seu local. Os acidentes e incidentes se avolumam, mostrando que a rua tornou-se um espaço privilegiado para a violência. Não refiro-me à criminalidade, mas à violência das colisões, atropelamentos e outras formas de conflituosidade no trânsito.
Nem o Estado Brasileiro optou ainda, de fato, por saídas coletivas. Nossa economia dependente, encontra-se ainda presa à poderosa indústria automobilística. Mais carros, mais emprego, mais economia "crescendo". Os europeus deram o primeiro passo para a mudança. Ainda patinamos no vazio.

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