quarta-feira, 12 de março de 2014

Mortes Violentas no Trânsito do RN: liderança do interior

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/Mossoró.


Segundo o Mapa da Violência, documento publicado anualmente pelo Instituto Sangari, as mortes violentas no trânsito (decorrentes de acidentes de trânsito em geral) matam mais de um milhão de pessoas por ano no mundo e mais de 40 mil em todo o Brasil. Uma catástrofe sem precedentes, mais do que guerras ou epidemias globais nos dias de hoje. 
No Brasil, em particular, as vítimas são jovens. Mais de 66% são pedestres, ciclistas e motociclistas, ou seja, o elo mais fraco da cadeia. A evolução das mortes de motociclistas é a mais surpreendente: quase 1000% nos últimos 12 anos. Ultrapassa em letalidade o pedestre, até alguns anos, o mais vitimizado. Hoje, mais da metade das mortes no trânsito no RN são de motociclistas, envolvendo quase 55% do total.
No nosso RN a situação geral é preocupante no que se refere ao interior do estado: os seis municípios com maior mortandade são do sertão ou agreste potiguar. Em termos de taxas por 100 mil habitantes, temos em ordem crescente: Pau dos Ferros; Mossoró; Macau; Currais Novos, Açu  e Apodi. 
Mortes de motociclistas superam em quase 3 vezes o de outros veículos e pedestres no RN. Em alguns estados como o PI o índice é de mais de 5 vezes. Mossoró é a líder em número de motociclistas mortos: é a décima-nona cidade com maior taxa de mortes no trânsito envolvendo no Brasil: 28,1 por 100 mil habitantes. 
Enquanto isso, dos 10 municípios com maior índice de letalidade no trânsito (mortes violentas) do RN, Natal o maior em habitantes do estado, não figura entre eles. Isto porque, Natal foi uma das poucas capitais no Brasil que reduziram, nos últimos 10 anos, o índice de mortes no trânsito. Queda de mais de 30%.
Apesar dos dados alarmantes, RN é o vigésimo colocado no ranking nacional em mortes no trânsito em geral. Uma boa notícia, ao menos. Mas, a taxa ainda é alta. Preocupa mais quando analisada isoladamente o interior potiguar. Faltam políticas públicas de segurança no trânsito nestas regiões que imprimam, satisfatoriamente, ações que minimizem o impacto dessa mortandade. Como já apontamos em artigos anteriores, o custo em saúde é gigantesco. A avalanche de motos que chegaram ao interior nos últimos dez anos é um fenômeno que tem que ser pensado com dados e políticas de planejamento. A população tem o direito à locomoção barata e ágil. Urgem soluções.

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