terça-feira, 29 de julho de 2014

Mossoró e a retomada do crescimento econômico

Gutemberg Dias, Geólogo e Geógrafo, Mestre em Recursos Naturais, atua como empresário na área  de planejamento ambiental. Preside o PCdoB de Mossoró.

Na íntegra, via Blog do Carlos Santos.

Estava trabalhando num projeto da empresa e de repente me deu uma vontade de escrever sobre Mossoró. Já fazia muito tempo que não me debruçava sobre os teclados para analisar nossa cidade a partir do olhar empresarial. Obviamente vou dar umas pinceladas na política, já que também faz parte da minha vida e interfere diretamente no mundo empresarial.
Fui candidato a prefeito na eleição suplementar de Mossoró e durante o período batia na tecla que precisávamos rever o modelo econômico instalado em nossa cidade. O ciclo virtuoso do petróleo que desde a década de 1980 vem garantindo a pujança econômica local, principalmente, atrelado ao fornecimento de serviços e a geração de dividendos a partir de impostos pagos pelas petrolíferas, já não responde como antigamente e várias empresas estão fechando suas portas com a consequente dispensa de mão-de-obra, gerando no município um crescente processo de desemprego. 
Uma das minhas empresas tem atuação direta na área petrolífera e desde 2012 vem diminuindo sua relação comercial com esse setor. Assim como eu, outros empresários seguem na mesma cantilena, basta conversar com os membros da REDEPETRO-RN para se constatar esse sério problema econômico que influencia uma enorme cadeia produtiva e que desemboca na economia local, ou seja, no comercio que já sofre com a desaceleração do poder de compra da população.
Conversava com um amigo dentista que me falava da redução de atendimentos em sua clínica através de plano de saúde. Ele me disse que a maioria dos atendimentos através de planos eram oriundos de pessoas atreladas a empresas ligadas ao setor petrolífero. Com esse exemplo quero mostrar que o processo de desaceleração econômica do ciclo do petróleo está e, ainda, irá deixar o mercado local com sérias sequelas.
O que fazer para mudar esse rumo? São vários os caminhos a serem trilhados. O próprio setor privado fornecedor de bens e serviços a cadeia produtiva do petróleo começa a procurar seu rumo transferindo sua expertise para outras áreas de desenvolvimento como a energia eólica, fotovoltaica e setor mineral.
Mas, é importante ressaltar que apenas uma pequena parte desse empresariado terá as condições técnicas e comerciais de fazê-lo. Em uma outra vertente, fico analisando o poder público municipal que não se movimenta numa perspectiva de fomentar um novo modal econômico. Alternativas para serem estudadas temos de sobra, como o Turismo, a atração de empresas de base a partir da reordenação do distrito industrial, incentivar os Arranjos Produtivos do setor de mineração etc.
Porquê não estamos saindo do canto nesse processo? Simplesmente a falta de compromisso político administrativo com a cidade termina por relegar o macroplanejamento econômico do município a ações pontais de interesse localizado em detrimento do interesse coletivo. Somos um grande município do ponto de vista econômico quando nos comparamos com outros do mesmo porte, mas continuamos com a síndrome da pequenez administrativa.
Espero que o setor produtivo desse rico e ao mesmo tempo pobre município se integre numa corrente que possa alavancar uma discussão mais ampla sobre a retomada de investimentos na “Metrópole do Futuro”, bem como, consiga inserir nesse contexto a gestão municipal que para mim tem que ser o coordenador desse processo de retomada de crescimento.
Olhando para o horizonte acredito que temos condições de sairmos desse atoleiro que nos metemos. O impulso precisa ser dado pela gestão municipal que precisará planejar com critério o modelo da retomada de crescimento econômico do município.
Um caminho estaria na criação de um gabinete voltado ao crescimento do município que envolvesse as secretarias de planejamento, tributação, meio ambiente e desenvolvimento econômico, criando uma agenda comum para elas a partir de um planejamento estratégico com vistas a 2025.
Bem como, ter nessas secretarias as pessoas certas com visão desenvolvimentista e sistêmica do processo de retomada de crescimento de um município como o nosso.
Mossoró já passou por três ciclos econômicos fortes chegou a hora de fomentarmos o quarto e criar perspectivas para um quinto. O tempo é curto, mas com critério e qualidade podermos refazer nossa economia.

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