Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Estudo de Textos (IV Parte - Final)

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Doutor em Ciências Sociais e Professor de Sociologia da UFERSA.




5.2. O fichamento

O fichamento é um trabalho que consiste em apresentar por escritor a compreensão do texto estudado. Deve-se elaborar uma redação resumida, a partir das questões levantadas na fase de compreensão do texto (assunto, problema, posição do autor e argumentos), com vocabulário próprio e estruturação lógica (Introdução, Desenvolvimento e Conclusão).
Daí que, o fichamento consiste em armazenar em fichas informações relevantes para a pesquisa. Ao conjunto de fichas denominamos arquivo.
“FICHAMENTO” é uma forma de investigação que se caracteriza pelo ato de fichar (registrar) todo o material necessário à compreensão de um texto ou tema. Para isso, é preciso usar fichas que facilitam a documentação e preparam a execução do trabalho. Não só, mas é também uma forma de estudar / assimilar criticamente os melhores texto / temas de sua formação acadêmico-profissional.
Este trabalho pressupõe a anotação. Anotação é um procedimento de seleção de    dados para futura utilização. Uma das características marcantes de uma anotação adequada é permitirem a redação. Deste modo, elas não podem ser sintéticas demais, a ponto de serem incompreensíveis. Muitas vezes queremos reduzir a informação e usamos códigos que não são lembrados posteriormente, inviabilizando a escritura a partir deles.

As notas podem ser:

  • Corridas quando são registrados apenas as palavras-chave.
  • Esquemáticas quando se reproduz a ordenação hierárquica das partes.
  • Resumitivas quando se tentam a condensação do conteúdo.


As fichas compreendem:

  • Cabeçalho, corpo da ficha e referências bibliográficas.
  • O cabeçalho engloba título genérico ou específico e letra indicativa da seqüência das fichas se for utilizada mais de uma.
  • O corpo da ficha engloba as informações propriamente ditas.
  • A referência equivale à indicação da fonte bibliográfica do material.
  • Outro elemento de informação é a fonte, ou seja, a indicação da procedência do material.

Para tornar o uso da biblioteca mais produtivo, apresenta-se um método para tomar notas:

  • Antes de começar a tomar nota, folhear a fonte de referência. É básica uma visão do conjunto antes de se poder decidir o material a ser recolhido e usado.
  • Manter em cada ficha um tema ou título determinado. Colocar o tema na parte superior da ficha e, na parte inferior fazer a citação bibliográfica completa.
  • Incluir somente um tema am cada ficha e, se as notas são extensas, usar várias fichas numeradas consecutivamente.
  • Antes de guardá-las, ter a certeza de que as fichas estão completas e são compreendidas com facilidade.
  • Fazer distinção entre resumo, citação direta do autor, referência à fonte do autor e a expressão avaliadora pessoal de quem faz a ficha.
  • Copiar cuidadosamente as notas da primeira vez, sem fazer projeto de passar a limpo e nem de tornar a copiar, pois isto é perda de tempo e dá a possibilidade a erros e confusões.
  • Para onde for, levar consigo alguma ficha: pode surgir alguma idéia de repente.

  • Cuidado para não perder as fichas.
  • Procurar guardar as fichas sempre em ordem.

As clássicas fichas de cartolina têm perdido espaço para programas de computador que garantem economia de trabalho e tempo. A vantagem de se fichar o conteúdo em computador é a facilidade de transposição delas para o texto. Basta digitar o dado a ser anotado para um arquivo de documento e copiá-lo e colá-lo ao texto do pesquisador quando for conveniente. Além disto, qualquer arquivo de documento pode ser impresso e catalogado como se fosse uma ficha comum.

Um fichamento completo deve apresentar os seguintes dados:
 
  1. Indicação bibliográfica – mostrando a fonte da leitura (cf. ABNT)
  2. Resumo – sintetizando o conteúdo da obra. Trabalho que se baseia no esquema (na introdução pode fazer uma pequena apresentação histórica ou ilustrativa).
  3. Citações – apresentando as transcrições significativas da obra.
  4. Comentários – expressando a compreensão crítica do texto, baseando-se ou não em outros autores e outras obras.
  5. Ideação – colocando em destaque as novas idéias que surgiram durante a leitura reflexiva.

Fichamento de transcrição

A transcrição direta exige a colocação de aspas no início e no final do texto. Consiste na reprodução fiel de textos do autor citado. Se já houver no texto transcrito expressão aspeada, tais aspas devem ser transformadas em aspas simples.
Indica-se o número da página de onde foi transcrito o texto. Se houver erros de grafia ou gramaticais, copia-se como está no original e escreve-se entre parênteses (sic).
A supressão de palavras é indicada com três pontos entre parênteses. Supressões iniciais ou finais não precisam ser indicadas ; A supressão de um ou mais parágrafos intermediários é indicada por uma linha pontilhada ; Ao transcrever um texto é preciso rigor, observando aspas, itálicos, maiúsculas, pontuação, etc. Não se deve alterar o texto de nenhuma forma.

5.3. A síntese pessoal

A síntese pessoal é o momento culminante do estudo de textos, pois se desenvolve a partir da interpretação do texto básico. Pressupõe desta forma as fases anteriores do estudo (preparação e compreensão).
É uma reconstrução mais livre do tema abordado no texto básico o que pressupõe o diálogo com o autor, o questionamento das posições assumidas e a relação destas com outras abordagens. É um trabalho que consiste basicamente em apresentar a “palavra do leitor”, a sua posição frente às questões desenvolvidas, o que exige estudos aprofundados e fundamentalmente “olhos críticos” para o mundo.

5.4. A resenha de textos

A leitura, a compreensão e o fichamento de textos científicos são os primeiros recursos metodológicos que utilizamos para a realização de trabalhos acadêmicos; pressupondo um contacto mais rigoroso com o material didático normalmente utilizado na Universidade, constituem os primeiros passos em direção a uma postura crítica em relação aos temas abordados nas várias disciplinas.
Esta formação inicial pode ser completada com a elaboração de resenhas de textos.
O principal objetivo da resenha é elaborar comentários sobre um texto, para publicação ou divulgação; como atividade acadêmica, é utilizada para que o educando se familiarize com a análise dos argumentos utilizados para se demonstrar/provar/descrever um determinado tema. Pressupõe uma leitura rigorosa do texto e deve conter:

1. informações gerais sobre o texto;
2. comentários sobre a idéia central do texto;
3. comentários sobre o plano de assunto do texto;
4. comentários pessoais e críticas.
Inicialmente, deve-se identificar autor, época em que o texto foi redigido, tecendo um breve comentário para se compreender os objetivos do texto e sua idéia central. A seguir, deve-se sintetizar cada parte do plano de assunto (no caso de livros, cada capítulo) na mesma sequência lógica em que se apresenta, num esforço pessoal de reflexão sobre os elementos fornecidos pela análise do texto.
Quanto aos comentários pessoais, analisar a importância do texto, comentar a sua influência dentro da área a que pertence e as consequências mais significativas de sua publicação.
Na crítica, deve-se levar em consideração os aspectos referentes à publicação do texto, à revisão textual, atualização de gráficos e tabelas, atualização da bibliografia utilizada pelo autor, bem como à sequência lógica e organização do texto.
É fundamental que o educando estabeleça um “diálogo” com o autor, identificando os pressupostos teóricos que orientam o texto, assim como os argumentos que o autor “teceu” em torno da idéia central.
Uma resenha deve ser sintética, aproximadamente de 3 a 5 folhas digitadas.

6. Referências Bibliográficas

BASTOS, Cleverson Leite; KELLER, Vicente. Aprendendo a Aprender – Introdução à Metodologia Científica. Petrópolis: Editora Vozes, 10a ed, 1998.
CARVALHO, Maria Cecília M de. Construindo saber: técnicas de metodologia científica. Campinas. Papirus, 2ª ed, 1989.
CERVO, Amando Luiz & BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 4ª ed. São Paulo: MAKRON, 1996.
DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. 2ed São Paulo: Editora Atlas, 1989.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5ª ed. São Paulo: Editora Atlas, 1999.
GOHN, Maria da Glória Marcondes. A pesquisa das ciências sociais; considerações metodológicas. In: Pesquisa participante em educação. Caderno CEDES. São Paulo: Editora Cortez. 1987.
LAKATOS, Eva Maria & MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Atlas, 3ª ed, 1991.
LUNGARZO, Carlos. O que é ciência? São Paulo: Editora Brasiliense, 1989.
SKEFF, Alvisto. O prazer de escrever. Fortaleza: Geração 2000, 1993.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico.. São Paulo: Cortez, 20a Ed,1996.

 

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