Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

History Channel: a História bestializada e mercantilizada

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Consultor de Segurança Pública da OAB/Mossoró.


Os assinantes de TV a Cabo no Brasil contam com uma enxurrada de canais oriundos dos Estados Unidos com os mais variados formatos. Um tipo específico, o de documentários, tornou-se uma relativa febre nos últimos anos. Em especial, um que volta e meia assistia, era o History. Inicialmente, pautava-se em documentários sobre acontecimentos históricos variados, especialmente militares, com a visão fundamentada na visão ideológica norte-americana dos fatos. Aqui e acolá. um pouco de marketing de grandes indústrias em alguns de seus programas.
De alguns anos para cá, porém, o canal foi praticamente ocupado por programas que, longe de discutirem fatos históricos, passaram a reproduzir o escopo da produção industrial norte-americana e a forma como aquela sociedade mercantiliza tudo, até sua própria história. Programas como "Trato Feito", "Mestres da Restauração", "Louco por Carros", dentre outros, passaram a sistematizar um padrão de que a história é válida, desde que possa ser vendida. E em dólar, é claro. 
Em geral, o grosso das peças discutidas (ultra superficialmente) são da indústria norte-americana e de seu estilo de vida. Os motivos das vendas? Como os referidos programas ocorrem em Las Vegas, capital da jogatina americana, as pessoas querem vender essas "tranqueiras de família" para jogar um pouco nos cassinos. Se o conceito de coisificação da realidade cabe em algum lugar, a aplicação a essa lógica é fundamental: aqui, tudo tem um preço.
Indo além, outra tendência do referido canal são os programas geofísicos e de cunho pseudo-científicos. Passa a se tratar como história (que é eminentemente humana) fatos da astronomia e da geologia. Mais uma enxurrada de programas sobre o "universo", etc. Sem problemas quanto a sua natureza. Mas, isso não é e nunca será história.
E os programas do misticismo barato? "Alienígenas do Passado" e companhia? Programas que vendem ideias sem base científica e especulativas como "teorias"? Carl Sagan deve estar se revirando em seu túmulo agora. Eu já perdi a paciência faz tempo.
 

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