domingo, 14 de setembro de 2014

O simbolismo da Cruz e a modernidade

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais e Professor de Sociologia da UFERSA.

Neste domingo comemoramos a invocação da Santa Cruz, data especial para toda a cristandade. Percebemos com facilidade que a cruz é o maior símbolo do cristianismo. Seja em forma de crucifixo ou de cruzeiro, ela está presente nas igrejas, nos lares e nas vestimentas da maioria dos que se dizem cristãos.
Jesus de Nazaré, Cristo pela paixão e morte na cruz, foi condenado por uma Corte Romana e morreu de forma agonizante suspenso no madeiro. Era a pior forma de punição que o Império Romano reservava aos rebeldes, criminosos e outros tipos de delinquentes cuja situação jurídica era não serem cidadãos de Roma. Aos cidadãos a morte era rápida: decepamento. 
A distância histórica faz com que a morte na cruz perdesse o simbolismo que possuía para os primeiros cristãos que viviam no Império Romano. Hoje, convido-os a fazermos um exercício: imaginemos Jesus em nossa Era, sendo preso pelo Império Americano (não vejo melhor substituto) e condenado à.... cadeira elétrica? Alguns séculos depois, eis-nos usando o estranho símbolo de uma cadeira para simbolizar a paixão do Senhor. Achou um anátema? Pois os primeiros cristãos também acharam. Por isso, mais de três séculos se passaram até que a cruz se tornasse símbolo máximo da fé. 
A cruz é um símbolo que, ao carregarmos, causa escândalo. Primeiro, porque não deve ser levada ou postada como adereço decorativo ou símbolo de status. Ela é um peso que devemos carregar. Peso de termos em nós o sentido de transformação e de conversão que ela nos remete. O peso de toda a fé em Jesus Cristo, "para os que todos que nele creem tenham a vida eterna" (Jo, 3,15). Ou, como nas palavras do apóstolo: "Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fl, 2, 8).
Que cruz afinal devemos carregar? O Espírito Santo nos mostra o tempo todo: os miseráveis, os presos, os doentes, os depressivos, os que sofrem de alguma forma. Na modernidade egocêntrica onde tudo se remete ao EU, devemos olhar a cruz dos OUTROS. Chega de dizermos: "minha dor; meus problemas; meu, meu, meu!". Carregar de fato a cruz do Senhor no peito e na alma é poder, de forma consciente e cheios do Espírito Santo, como Simão carregou a cruz do Senhor, ajudar os outros na sua caminhada de dor por este mundo.
Estranho falar tanto em cruz quando, no Brasil por exemplo, tantas Igrejas têm vergonha de expô-la em seus altares. Assim como os israelitas precisaram de um símbolo visível para acreditarem (uma serpente de bronze), temos nós esse símbolo de amor supremo pela humanidade.
Jesus, por meio de seu Espírito Santo, nos convida a carregar sua cruz. Não sozinhos, pois ele carrega-a conosco, a fim de que carreguemo-la com nossos irmãos. Em comunidade, vamos juntos,  com a nossa Santa Cruz, unidos no amor e no exemplo de quem se humilhou na morte para se exaltar na ressurreição.
Cantemos com o bardo: "Olhe pra Cruz, foi por ti, porque te amo!".

Boa Semana e Paz e Bem a todos!

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