quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A nudez, a arte, a hipocrisia reinante e o varejo da imbecilidade

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais, Professor de Sociologia da UFERSA e Coordenador do GEDEV.




Na semana passada, nosso provincianismo foi abalado pelo ato lúdico de uma aluna da UFRN que encenou, semi-nua, um ato anti dominação do corpo e das artes no que se referem às representações que nossa sociedade tem das mulheres.
Na taba cascudiana o clamor foi geral: "Ela está nua!!!" "Coisas das humanas ciências e sua predileção pela maconha??" "Turma que não se atém ao real e sim à arte em sua plenitude??" Além das consequentes reclamações à moral e aos bons e velhos costumes, etc. Nada de novo.
Vivemos em uma terra onde bons livros e de referência, desde a época de Luís da Câmara Cascudo, só podem ser comprados via catálogo ou hoje, via internet. Uma terra onde as livrarias fecham na proporção inversa e geométrica em que se abrem igrejas e bares. Faltam-nos galerias de arte. Contam-se nos dedos das mãos os museus.
Apesar disso, em nosso idolatrado estado elefante, sobram discursos hipócritas dos leitores do modismo em voga, pseudo-literário ou não, dos fãs do último exegeta da auto-ajuda. Isso quando o próprio Rei já está nu há tempos...
Não discorrerei sobre a arte e sua liberdade. Se até figuras autoritárias como Leon Trótski afirmaram que nada deve se impor à arte, que esta deve se encontrar na plenitude sempre da liberdade, o que explicar aos conterrâneos tabajaras?
Fecho aqui lembrando Schopenhauer para quem a arte era uma libertação da vontade: é através da arte, que o homem eleva a mente à contemplação da verdade, porém sem influência da vontade. É um elevar-se ontológico, que está acima da competição das vontades, volta-se para o mais profundo de seu ser e há o esquecimento do eu individual e de seu interesse material. Conclui-se que através da arte, o homem se liberta da escravidão que ele possui pela vontade.
Em nosso RN, onde abundam igrejas, farmácias e bares e quase inexistem museus, galerias e livrarias, estamos todos nus.

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