Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Black Friday e o fetichismo do engodo no capitalismo tupiniquim

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais, Professor da UFERSA e Coordenador do GEDEV.

Marx, no Capital, expõe o caráter fantasmagórico da mercadoria no capitalismo, sistema que a produz. Explicita, através do conceito de "fetichismo da mercadoria", como relações sociais passam a ser mediadas por "coisas". O fetichismo faz surgir uma ilusão de que somos mediados por pessoas, quando na verdade são as mercadorias fazem isso por nós. Essa relação se torna substancial e imperceptível, ao menos diretamente.
Transformamos nosso Natal na festa de comprar presentes. Nossa Páscoa? Festa dos ovos de chocolate. Dia das mães, pais, etc? Presentes a serem comprados. Mediamos nosso amor através de presentes, devidamente produzidos pela indústria. Além disso, não basta ser mercadoria, tem que integrar uma estética própria de marcas e modelos. Vou comprar margarina no supermercado? Tem que ser X ou Y...
Desconte-se o lucro embutido, custos e demais elementos constitutivos do valor final da mercadoria. O fetichismo amplia o processo acrescentando um caráter estético, visual e, portanto, puramente cultural e social. Afinal, não basta ter um celular: é preciso ter um Iphone. 
Compramos sem necessidade produtos que pouco ou nunca usaremos. Estocamos roupas, perfumes, calçados, relógios, quinquilharias domésticas e eletrônicas... Compramos!! Afinal, se nossas relações sociais são mediadas pelo consumo de mercadorias, é somente nesse processo que as mercadorias se realizam enquanto tal. Uma vez compradas? Perdem sua utilidade nunca dantes existente. A nós, advém nova ansiedade e vazio, só preenchido com novo consumo.
Saímos às compras e compramos o que não precisamos apenas porque... está em promoção! Caímos no engodo de que as mercadorias estão "baratas" (pobres insetos) devido à esta ou aquela data específica. A maquiagem da justificativa do valor se amplia. Compramos, compramos, compramos!!! Não é a toa que temos canais inteiros dedicados às compras. Criamos sistemas de crédito apenas para isso, assim como sistemas de endividamento e controle.
Mas, além de tudo isso, ainda criamos dias especiais dedicados APENAS (agora sem máscaras afetivas como religião ou amor à algum parente) ao consumo. Os americanos chamam-na de "black friday", sexta-feira negra (me parece alguma alusão macabra à quinta-feira negra do crash de 1929...). Descontos fenomenais dados aos incautos sujeitos/cidadãos/consumidores.
No Brasil, a fantasmática ação do fetichismo cai no engodo de achar que, nós tupiniquins, somos completos idiotas. Numa correlação entre cretinice e esperteza, nossos amados comerciantes inflacionam seus preços para depois... dar descontos!!! No final, tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Para os ansiosos e dependentes do consumo, fica a constatação de que, mesmo ganhando muito, nossos capitalistas anseiam em ganhar muito mais.
Afinal, no capitalismo brasileiro, nada é tão racional quanto deveria ser.

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