Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Violência contra a mulher: nada de novo no front

Thadeu de Sousa Brandão, Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais, Docente da UFERSA e Coordenador do GEDEV (Grupo de Estudos Desenvolvimento e Violência).
 

Ontem, no dia de combate à violência contra a mulher, os movimentos sociais voltados à luta contra a violência de gênero se manifestaram. A mídia, aqui e acolá tratou do assunto. Nada demais. O cerne central da questão, que envolve uma discussão sobre educação e gênero no Brasil passou desapercebido. 
Mulheres são vítimas expostas e ocultas de uma gama infinda de agressões e violências. Boa parte delas por parte de seus maridos, namorados e companheiros. Estas vão do estupro à coerção moral, passando pelo cativeiro físico e econômico. Ao mesmo tempo, são minoria no caso dos homicídios. Estatisticamente, são menos de 10% das vítimas de assassinato no Brasil. 
Não nos iludamos com os dados em si. O Brasil é campeão de estupros, com mais de 50 mil por ano  (probabilidade), onde apenas cerca de 35% são notificados. Estupramos tanto quanto países em guerra. Além disso, imputamos às vítimas a culpa do crime: suas roupas, sua hexys corporal, ou o simples fato de serem mulheres em um ambiente em que, nós homens, agimos como chimpanzés em busca de parceiras (os primos primatas, que não dispõem de seu harém próprio, estupram as fêmeas incautas e desprotegidas dos machos dominantes). Pois é. Agimos como símios.
Somos educados para a violência em certo parâmetro e a violência de gênero é absolutamente incrustada como normalidade em nosso processo de socialização. Dominação masculina que Pierre Bourdieu apontou como integrante deste processo e, por isso mesmo, presente em nível simbólico, reproduzindo-se nos discursos e nas práticas.
Qualquer mudança de paradigma tem que passar, necessariamente, na forma como reproduzimos esses sistemas simbólicos e essas práticas. Uma educação não sexista é um passo necessário. Enquanto isso não ocorre, mais gelo a enxugar.

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