Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Governo deverá fazer cortes sociais no próximo ano. Entrevista especial com Guilherme Delgado

Via UNISINOS.

“O governo está repetindo o mesmo padrão de ajustamento constrangido em uma situação macroeconômica externa completamente diferente, com uma virada cíclica negativa de comércio externo e do preço externo de commodities, em uma situação de estagnação forte da indústria e também de certo desequilíbrio fiscal”, adverte o economista.
Foto: www.cbnsalvador.com.br

O significado político do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, passada a euforia da reeleição e diante das primeiras declarações feitas à imprensa e da escolha da equipe econômica, é diferente do significado político que teve imediatamente após as eleições. Essa tese é defendida pelo economista Guilherme Delgado, que assinou o Manifesto dos Economistas pelo Desenvolvimento e pela Inclusão Social, e vê com preocupação as mudanças anunciadas para o próximo ano, a começar pelos ajustes a serem feitos nas políticas sociais.
“O governo Dilma disse que iria continuar com a valorização do salário mínimo, com a política de emprego, de renda, etc. Esse discurso foi em parte responsável pelo resultado eleitoral, mas não é o que se desenha com o apontamento da política econômica avisada pelo ministro Levy e pela virtual autonomia do Banco Central, para fazer política de caráter monetário de elevação de juros e cortar uma série de recursos que hoje comparecem como fundamentais para o problema distributivo da política social”, pontua.
Delgado enfatiza que a campanha eleitoral da presidente reeleita prometeu manter o programa de valorização do salário mínimo, apesar do baixo crescimento, como já vinha sendo feito no primeiro mandato. Entretanto, ressalta, “provavelmente isso vai ser revisto agora, tendo em vista que já se anuncia uma minirreforma da previdência, que não tem esse nome para não despertar suspeitas, mas é um pacote de redução de benefícios no sistema previdenciário. Isso já ocorreu no fim do governo Dilma, com a desoneração da folha de pagamento da previdência social, portanto, retiram-se recursos do sistema”. E acrescenta: “Os recursos fiscais, que estão sendo mirados nesse momento, são recursos da política social, por isso este aspecto está sendo mudado”.
Para o economista, a escolha de Levy à frente da equipe econômica, no comando do Ministério da Fazenda, demonstra a “continuidade da influência do ex-presidente Lula na montagem dessas equipes em situações de emparedamento”.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Delgado também comenta a carta do Grupo de Emaús, enviada à presidente Dilma. “A carta do Grupo de Emaús é uma carta dirigida ao espaço vazio. Não seria, se fosse dirigida à população e se fosse comunicada com caráter de denúncia — denúncia do golpe e denúncia da chantagem. Mas a carta fica só no plano dos princípios, achando que há uma diferença abissal entre o programa concreto histórico que a Dilma vai executar e o programa que foi derrotado. Não, o programa derrotado é o que vai ser executado agora e isso precisa ser denunciado”, comenta.
Guilherme Delgado é doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Trabalhou durante 31 anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea.
Foto: 3.bp.blogspot.com
Confira a entrevista.
IHU On-Line - Qual é o significado político e econômico da reeleição de Dilma?
Guilherme Delgado – Essa pergunta, respondida imediatamente depois das eleições, tem um significado e, respondida agora, quando já está se formando o governo, tem outro. E, nesse ínterim, há uma campanha que se costuma chamar de “terceiro turno” e que de certa forma reconfigura o resultado eleitoral. O resultado eleitoral que sai da população votante é um, e a conformação desse resultado na formação do governo e na orientação do governo, parece ser outro. Nesse entremeio há uma campanha sistemática daqueles que perderam a eleição no sentido de emparedar o governo para que pelo menos a agenda econômica — que foi supostamente derrotada — retorne à política oficial. Então, a reeleição tem esses dois significados.

Num primeiro momento, o resultado eleitoral deu um recado à proposta de retorno à orientação política e econômica do PSDB, fortemente personalizada por Aécio e Fernando Henrique Cardoso. Logo após as eleições, parecia que esse modelo havia sido derrotado, mas não foi o que se viu logo em seguida, numa campanha muito forte, com tonalidades um pouco golpistas no sentido de apresentar uma espécie de pré-impeachment da presidente, com o argumento de reconfiguração do governo. Ou seja, o governo supostamente é ilegítimo porque é corrupto e, como corrupto, não pode ganhar, e se ganhar não pode assumir, e se assumir não pode governar, etc. Aparentemente essa campanha não é para valer, mas pode até se tornar séria dependendo da eleição do presidente da Câmara dos Deputados, dada a maioria parlamentar existente ali.

“Tenho minhas dúvidas de que o PT tivesse uma proposta antes e agora está com outra”

IHU On-Line - Por que logo após as eleições havia um significado e agora há outro? O senhor quer dizer que o PT tem uma proposta política e econômica, mas não consegue colocá-las em prática por conta das circunstâncias? Esperava que a agenda econômica fosse outra?
Guilherme Delgado – Tenho minhas dúvidas de que o PT tivesse uma proposta antes e agora está com outra. O que estou dizendo é que, na discussão econômica da campanha eleitoral, ficaram muito matizadas as diferenças do Programa Dilma x Programa Aécio x Programa Marina. Por exemplo, a discussão da independência do Banco Central foi rejeitada como sendo um retrocesso, e a discussão sobre soberania e distribuição, embora com tonalidades um pouco eleitoreiras, esteve sempre ligada ao Programa Bolsa Família, e não à política social de conjunto. De todo modo, se fazia essa clivagem no sentido de mostrar que o governo Aécio faria um choque de corte genérico da política social para adequar a um ajuste fiscal de forma totalmente abrupta, enquanto o governo Dilma não faria isso. O governo Dilma disse que continuaria com a valorização do salário mínimo, com a política de emprego, de renda, etc. Esse discurso foi, em parte, responsável pelo resultado eleitoral, mas não é o que se desenha com o apontamento da política econômica aviada pelo ministro Levy e pela virtual autonomia do Banco Central, para fazer política de caráter monetário, de elevação de juros. Enfim, de cortar uma série de recursos que hoje comparecem como fundamentais para o problema distributivo da política social.

Para ler o restante da entrevista, clique AQUI.

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