segunda-feira, 13 de abril de 2015

Aeroporto, porto e ferrovia



Tomislav R. Femenick, Mestre em Economia, pela PUC-SP , jornalista e bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Cidade de São Paulo.



Há varias hipóteses que procuram explicar o processo civilizatório da humanidade. A primeira é aquela que aponta a grande transformação das primeiras comunidades humanas, quando essas deixaram de ser caçadoras e formaram os primeiros núcleos de agricultores. A etapa seguinte teria sido a produção de excedentes, isso é, quando essas comunidades passaram a produzir alimentos em quantidade maior do que sua capacidade de consumo. A saída natural foi a troca das sobras com grupos que tinham alimentos diferentes.
Esse passo foi um grande salto, pois gerou a percepção da necessidade de troca de informações entre as comunidades e com ela, os rudimentos da economia, da sociologia (povos diferentes têm hábitos e práticas diferentes), da linguagem e de todos os elementos cognitivo das relações exógenas. Todavia, para que essas trocas de mercadorias e conhecimento fossem possível era indispensável a existência de via que facilitassem a comunicação entre os diferentes núcleos de produção. Se dermos um salto na escala do tempo, veremos as grandes vias marítimas abertas pelos fenícios e gregos (e mais tarde pelos portugueses), as “estradas de rios” adotadas pelos chineses, as grandes estradas do império romano que cortavam o território europeu e do oriente próximo e as vias dos incas, que singravam pela cordilheira andina. 
E nós, aqui no Rio Grande do Norte; o que tínhamos antes e o temos hoje? No inicio do século passado, o porto de Areia Branca era o sétimo maior porto do Brasil, em movimentação de tonelagem. Por ele era exportado sal, algodão, cera de carnaúba, minérios de gesso e outros produtos. Dele partia uma estrada de ferro que nos ligava a cidade de Souza, na Paraíba e o projeto era que atingisse o Rio São Francisco. Algodão, cera de carnaúba e gesso desapareceram de nosso mapa de exportação e o governo militar cometeu um crime imperdoável: arrancou os trilhos da ferrovia, como o fez com a que ligava Natal a Recife. Mas não podemos nos esquecer da grande obra, um verdadeiro desafio de engenharia, que foi a construção do porto ilha de Areia Branca, um dos maiores terminais exportador de sal do mundo.
O nosso Estado, até por sua localização geográfica, sempre foi “um elefante afoito” no campo aeronáutico, como ponto de apoio às rotas aéreas que cruzam a Atlântico Sul. Nada mais expressivo que os aviões franceses e alemães que aqui tiveram bases de apoio e da maior base aérea norte-americana construída foram do seu território, edificada em Parnamirim. Baseado nesse histórico se pensou no grande aeroporto de São Gonçalo do Amarante. Todo indicava que fosse mais do que uma superfície terrestre dotada de pista, prédios e equipamentos necessários ao embarque e desembarque de passageiros e cargas; fosse mais que um simples aeródromo. Uma série de fatores apontava esse “algo mais”.  Temos a localização privilegiada e a tendência mundial das empresas aérea de adotarem para suas rotas a logística conhecida como “hub-and-spoke”, usando um aeroporto como ponto de conexões de suas rotas.
Entretanto os aeropostos desse tipo exigem uma concepção multimodal, que inclui oficinas de reparos de aeronaves, ampla aérea de estacionamento para os aviões, aéreas de lazer e hotel para os passageiros em transito, um complexo de alimentação (inclusive empresas de catering) e muito mais. Nada disse foi feito ou mesmo pensado. No entanto há outros gargalos: não temos ferrovia e porto que liguem o novo aeroposto ao resto do nordeste e do Brasil e as zonas de processamento e exportação do Estado não saíram do papel (não somente por falta de aeroporto).
Por outro lado, o porto de Natal foi dragado e foi construído um moderno e caro Terminal de Passageiros. Só que não há navios trazendo turistas para cá, isso porque a Ponte Newton Navarro impede a passagem dos grandes transatlânticos ou porque eles não poderiam fazer o movimento de retorno na embocadura do Rio Potengi.
Das duas uma: ou não se sabe fazer planejamento estratégico ou estamos ricos de mais, a ponte de jogar dinheiro fora. Alguém acredita na segunda hipótese?

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