sexta-feira, 7 de outubro de 2016

De caciques e índios nas terras de Poti

Raimundo Carlyle




Do início quase heroico aos estertores finais do seu reinado estadual 2011-2014, o grupo político mossoroense que ascendeu ao Poder Executivo do Rio Grande do Norte nas eleições de 2010 não conseguiu enxergar a diferença entre uma aldeia, uma província, um condado e um estado federativo, sendo apeado da busca de votos pela continuidade no exercício da governança pelos seus mais próximos aliados, antes mesmo do início da corrida eleitoral de 2014.
O grupo também foi triturado pelo “conselho dos sábios”, massacrado pela crítica assalariada, tripudiado no próprio solo rosado, abandonado pelos aliados oportunistas, mas lambeu as feridas e sobreviveu até as eleições municipais de 2016, sagrando-se vencedor na disputa travada no “país de Mossoró”.
O poder é movido ou paralisado por forças internas e externas. Vencer as forças externas só é possível com a união das forças internas, mas a recíproca não é verdadeira. Eis o enigma da esfinge que não foi decifrado pelo referido grupo político mossoroense àquela época.
O soerguimento ao poder municipal teve início quando, numa auspiciosa curva do rio grande, a ousadia de quem foi defenestrado pelo próprio grupo, o atual governador do RN, transformou-se em oportunidade, e a vitória no rincão dos rosados tornou o desalento em alegria em outubro de 2014, revitalizando a esperança na agora consumada vitória de 2016.
Um novo ciclo político estadual teve início em 2014, quando ocorreu a proeza de se unir a esperança à coragem impondo uma derrota avassaladora ao formidável grupo de “caciques” reagrupados para manter a hegemonia na aldeia de Poti. A partir daquela vitória na guerra fraticida estadual, uma reorganização das forças internas no grupo rosado fez eclodir novos atores no espectro político, além do reagrupamento das duas facções familiares antes adversárias, com vista à retomada do poder municipal em 2016 na província de Jeronimo Rosado.
A nova ordem política surgida em 2014 no território potiguar, e reafirmada em 2016 com a derrocada petista nos planos nacional e estadual, não imporá mudanças substanciais na cultura política arraigada na alma dos norte-rio-grandenses, porém fomentará um novo discurso na formação de uma classe de inusitados “pensadores” estratégicos, cujos lances midiáticos os elevarão à categoria de executores de missões impossíveis.
Contudo, ao fim e ao cabo, eles nada mais são do que aqueles seres que “urdem, fiam, costuram, tricotam, emendam e remendam” diuturnamente, com a única finalidade de obter ou manter o poder, infinitamente.

Os velhos ardis dos líderes políticos ainda permitem que eles se conservem na condição de “cabeças” de grupos, mas as dificuldades impostas à sua prevalência no comando tendem a aumentar, os obstáculos ficarão maiores, novos atores serão despertos, novas batalhas serão lutadas com força avassaladora na busca do poder nas próximas eleições, em 2018.

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