quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Presidência da CMM: jogo de xadrez com peças conhecidas

Por Thadeu Brandão. 



Na história dos Conclaves Papais, no Vaticano, há uma tradição que diz que os cardeais que entram "favoritos" na corrida ao "Pontificado" nunca terminam sendo eleitos. Ao adentrarem na Capela Cistina como futuros papas, saem como cardeais. Em Mossoró, na história de sua Câmara Municipal, principalmente nos últimos anos, parece que tradição semelhante se tem formado, em torno da eleição da presidência da casa. Quem inicia favorito e "presidente", termina o dia 01/01 como vereador, como os demais.   

A visível articulação apontada ontem nas redes sociais e na mídia, principalmente em torno de 12 nomes que se aliam em "torno de um projeto comum de fortalecimento da Câmara", assim como a formação de quaisquer outros "grupos" possuem, em verdade, outro sentido no mercado de bens simbólicos políticos locais: valorizar o voto de cada um, tanto na eleição à presidência da CMM quanto na própria correlação de forças junto à PMM (quem será oposição e situação).   

Ao mesmo tempo, os nomes que correm por fora apontam as correlações de força entre os grupos políticos que disputam a hegemonia da casa e que, obviamente, possuem representação: 1) o ligado ao atual prefeito Silveira Jr. (PSD), que embora enfraquecido pela derrota eleitoral e pela derrota da não aprovação de suas últimas demandas na casa ("agência reguladora" e doação de terreno à uma faculdade privada) ainda tenta um último tour de force; 2) o grupo em torno Sandra Rosado (PSB), cuja liderança sai fortalecida após a vitória no pleito e pode despontar como candidata do Palácio da Resistência (e neste sentido, seu nome parece ser o mais viável politicamente, exatamente por essa proximidade e capacidade de articulação política); e 3) o grupo ligado ao candidato derrotado Tião Couto (PSDB) que articula o nome do vereador eleito Alex do Frango como candidato.   

Um certo "movimento" nas redes sociais e nos bastidores apontam, como na própria eleição pretérita, uma aproximação entre os grupos do PSD e PSDB no apoio de uma chapa comum (Alex do Frango). Porém, como se percebe tradicionalmente neste tipo de eleição, a decisão final caberá ao articulador do Palácio da Resistência. Quase sempre, na história, o Palácio da Resistência sempre teve maioria no Palácio Rodolfo Fernandes. 2017, não há de ser diferente.

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