Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sobre o "Ronda Cidadã" em Mossoró

Por Thadeu Brandão.



Ontem, às 17:30h, o governador do RN, Robinson Farias (PSD) anunciou o lançamento de seu único projeto efetivo em Segurança Pública no estado: o Ronda Cidadã, a ser instalado na cidade de Mossoró. Com todo seu establishment político e administrativo ao lado, o gestor estadual lançou as bases de um programa que: atenderá a quatro grandes bairros (com grande incidência de homicídios, atestado pelo OBVIO-RN e com contingente populacional de mais de 60 mil pessoas) e contará com o esforço de 30 agentes de segurança pública.

Alguns pontos precisam ser analisados e, como de praxe em uma democracia, questionados. Primeiramente, a questão do contingente escolhido, do qual farão parte Policiais Militares, Policiais Civis e Agentes do Corpo de Bombeiros Militar da cidade. Tendo em vista o contingente exíguo e depauperado de Mossoró (a exemplo do restante do estado), não há aceno de onde virão esse esforço coletivo de tropa. 

Em segundo lugar, já respondendo à questão anterior, a tropa adviria do malfadado recurso das "diárias operacionais" (DO) a serem pagas aos agentes de segurança. Mossoró vivenciou por dois anos o uso deste arremedo e sabe o que esperar: desestímulo dos policiais tanto pelo exíguo valor das DO quanto pelo atraso indelével que sempre ocorre. Como me confidenciou um policial: "Melhor se arriscar no setor privado que paga (em dia) quatro vezes mais". Embora o bico seja proibido, ele é prática comum que pode ser extinta não com punição ao policial, mas com a valorização real da DO e seu pagamento em dia.

O modelo adotado, um arremedo do que foi aplicado nos EUA e na Colômbia, tenta inserir a comunidade local no esforço contingente de Segurança Pública. As principais diferenças, além da estrutura do contingente, estão na forma como os mesmos devem atuar. Estamos a falar, efetivamente de Polícia Comunitária de caráter de proximidade, que se realiza com a fixação dos agentes nos bairros e sua integração com a população. Como fazer isso sem um Conselho de Segurança Pública Comunitário efetivo? Tecnologia de internet e tablets não agregam pessoas. Diálogo e muita conversa e participação sim.

Assim como Alice, que no País das Maravilhas estava a correr atrás do coelho, não temos muitas ilusões quanto à efetividade do "Ronda Cidadã" em Mossoró. Positivamente? Torcemos muito. Mas, o máximo que pode trazer é a migração do crime destes quatro bairros para outros bairros limítrofes. Afinal, se mal há tropa para cuidar de quatro bairros, avalie para toda a cidade. Aguardemos para análise mais acurada do projeto e seus resultado.

Não estou sendo pessimista, apenas cético. Afinal, gato escaldado tem medo de água fria.

Um comentário:

  1. E pot Ai. Mesmo professor e. Macaco velho Mao. Poe.Mao em cumbuca.

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