Sobre o autor


Thadeu de Sousa Brandão

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (CCSAH/UFERSA) - (Nota 4 CAPES). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional", "A Senhora do Sertão: a Festa de Sant'Ana de Caicó" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015" e de "Observatório Potiguar 2016: Mapa da Violência do RN". Apresentador do Programa Observador Político da TV Mossoró e 93FM. Colunista do Jornal O Mossoroense.

Política, Sociologia, Ciência, Cultura e Filosofia. Blog criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

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terça-feira, 21 de março de 2017

65 policiais e agentes de segurança do RN morreram de 2012 até hoje, aponta OBVIO

O OBVIO - Observatório da Violência Letal Intencional do RN, apresenta um relatório parcial de CVLIs, no período compreendido entre 1 de janeiro a 19 de março de 2017 comparado ao mesmo período dos anos de 2015 e 2016, no que se referem aos agentes de segurança pública (policiais e afins) vitimados no Rio Grande do Norte.




O RN contabiliza, no período de 2012 até este início de 2017, o total de 65 agentes de segurança pública mortos violentamente. 49% do total, 32 vítimas, estavam fora de serviço e foram mortos ao reagirem a alguma ação de violência, estando, porém, enquanto cidadãos. 43% deles, 28 no total, foram vitimados fora de serviço devido à função (estavam executando função de segurança ou similar, mas não oficialmente como agente legal). Apenas 8% do total, 5 das vítimas, estavam em serviço enquanto operadores de segurança pública.
Obviamente, no que tange aos que estavam fora de serviço, ou mesmo aos que reagiram enquanto estavam "à paisana", estes podem ter sido vitimados (as investigações no total prosseguem e algumas apontam também para esta causa) por "serem policiais" ou "agentes de segurança pública", o que indiretamente se liga às suas profissões e aos riscos delas decorrentes.
Ao mesmo tempo, importa mostrar que, em serviço, o agente é extremamente menos vitimado e, consideravelmente, mais protegido.




O período de maior mortandade varia conforme o tipo de execução/vitimização. Por exemplo, o ano de 2012 houveram a maioria das mortes de agentes em serviço (3), assim como o maior número de mortes de agentes fora de serviço devido á função (13). Depois disso, 2013 aparece com 7 vítimas deste último tipo, caindo mais ainda até 2017, que num período curo, passou a ter 5 CVLIs de agentes de segurança.
Quando se trata das vítimas que estavam fora de serviço e reagiram aos eventos (ou foram executados simplesmente), o ano mais cruento foi 2015 (com 9 CVLIs), com 2014 e 2016 com 6 cada, e ocorrendo dois, até o presente em 2017.




A principal vítima em termos de números absolutos são os PM's (Policiais Militares): representam 47 do total das vítimas. 72,3% do total, ou seja, quase dois terços de todos os agentes de segurança vitimizados no período supracitado. Seguidos pelos Policiais Civis que representam 8 do total no período (12,3%), depois pelos agentes prisionais, 5, guardas civis e de trânsito, também com 5 (7,7% cada).





Importa apontar que, durante este ano corrente de 2017, até o dia 19/03, 9 agentes já foram vitimados, com uma intercorrência cuja dinâmica ainda não tem como ser desvendada, mas que se liga não apenas aos riscos da atividade, mas também à atuação no combate à criminalidade, assim como a aspectos de sua desestruturação. O fato de parte significativa dos agentes estarem sendo vitimados em espaços fora do âmbito de seu labor e, consequentemente, muitas vezes em atividade "extra-remuneratória", aponta para a necessidade de se pensar a valorização profissional dessas categorias e, obviamente, sua própria segurança.


OBVIO - OBSERVATÓRIO DA VIOLÊNCIA LETAL INTENCIONAL DO RN

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